Entre um fino e um cigarro, pintávamos em pequenos toques uma noite longe mas tão quente e carregada de emoções e pequenas memórias. Entre as nossas maluqueiras, enganamos a fome a beira mar contemplando a vista estrelada que nos abrigava timidamente numa noite em que o mar beijava as nossas narinas com pequenas gotas de mar. Entre uma palavra e outra, timidamente olhava para os seus olhos, que apesar e vulgares, brilhavam tanto quanto a maior estrela do céu. Cada risada era uma lufada fresca de alegria e de admiração, pois cada riso era como uma pintura de Deus, tão linda e perfeita quanto o seu rosto. Mesmo as maiores imperfeições se tornaram pequenas aos meus olhos.
A loucura da noite fez-nos viajar entre os asfalto e chegar ao conchego do lar. A conversa fluía naturalmente, como se fossemos duas almas unidas. Sempre que pensava nisso sorria, parvo mas não admirado: nunca senti tanta cumplicidade entre duas almas, como se conhecessem há algum tempo, onde a timidez se perdeu pelo caminho.
A frieza da noite fez puxar um pequeno chã e um filme exibido foi o mote para um inicio de manha com umas nostalgia evidente nos meus olhos, onde as lágrimas escondidas do seu olhar, escorregavam pelo rosto, não porque era a melhor cena do mundo, mas porque cada bafo da sua respiração forte, faziam suspirar a minha pequena alma e vaguear os meus pensamentos por entre esses montes e vales do meu mundo perfeito, sonhado a medida da sua perfeição.
O cansaço apartava me os olhos, mas a vontade de manter acordado a minha mente era maior. Deitados, na inocência de um toque, fez o meu coração palpitar de alegria, cavalgando por esse momento pelas ruas da Alegria. Sorri como não sorria, porque era algo tão subtil quanto o momento. Num instante de loucura, pedi um abraço, para me despedir do mundo real e para poder viver nos meus sonhos todos aqueles momentos, mas de uma forma mais apaixonada e constante.
Repousei a minha cabeça no seu ombro com toda a nostalgia e vontade, sentindo cada pedaço do seu pescoço onde o cabelo beijava a minha face. Seu cheiro era tão suave mas tão doce quanto o seu pequeno sorriso. Era impossível não reparar nos seus pequenos olhos, que apesar da escuridão, brilhavam como pequenos diamantes.
Olhamos um para o outro com as mãos entrelaçadas. Era tão suave a sua mão, que por vezes não deixava que largasse só para as sentir. Tímidamente, os meus lábios tocaram nos dele... o meu coração acalmou mas deixei estar-me assim por breves instantes, sentindo os seus lábios nos meus. Queria aquilo para a eternidade mesmo que a eternidade fosse muito tempo.
Cada pedaço do seu corpo fazia vibrar o meu coração, onde nascia dentro de mim uma vontade de soletrar a palavra: "Fica comigo, porque eu gosto muito de Ti". Calei me com um beijo nos seus lábios com medo que fugisse de mim para bem longe dos meus olhos, mas a cima de tudo, para longe do meu coração.
Adormecer ao seu lado, agarrando o seu corpo junto do meu, foi a melhor coisa que me aconteceu na minha vida, porque nunca senti tanta segurança. Senti-me um homem cheio e rico, mais do que qualquer outro. Que sorte tinha eu de poder viver aquilo, pensava eu.
Por momentos, deixava abater o medo de perder tudo aquilo, de deixar aquilo escorregar por entre os dedos. Tentei viver aquilo, com a certeza que seria a ultima vez que poderia adormecer deitado junto da pessoa que mais gosto. Queria envolve-la numa bolha de água e protege-la para sempre, mas sabia que não. Afastava todos esses pensamentos com pequenos beijos no seu pescoço, tentando conquistar o seu pequeno coração de que eu sou o tal e que não quero ver o sofrimento nos seus olhos.
Adormecemos assim mesmo, numa concha humana, quente quanto o meu coração e sentimentos. O meu olhar apaixonado, denunciava o que sentia, mesmo à pessoa mais distraída. Apesar do cansaço, não consegui adormecer, não porque o medo me consumia, mas porque a vontade de querer ver o seu sono era tão grande quanto a vontade de beijar os seus lábios fofos. Pensava nos seus beijos, tão ternurentos e cheios de vida, e sonhava aquilo para minha vida.
Os meus olhos pingaram pequenas lágrimas, porque sabia que aquilo iria acabar, mas tarde ou mais cedo. A incerteza do futuro amendontrou por momentos os meus pensamentos. Mas aí, abraçava para que pudesse sentir o seu corpo junto do meu.
Toquei no seu cabelo fino mas tão bonito. Sempre que fechava os olhos, via a sua imagem a sorrir para mim como se me tivesse a dizer um olá. Sorria, chorando.
Quem me dera ter dito tanto mais, mas as minhas palavras bloquearam-me na boca e não deixavam que explicasse tudo o que o meu coração gritava. Só o meu toque fazia explicar o que sentia, embora tímido e com vergonha.
Quando o sou nos beijou aos dois, não queria acreditar que tudo aquilo aconteceu, porque parecia uma mentira impiedosa. Mas a realidade chamou-me a acordar e perceber, que cada toque, beijo e cheios foram tão reais mas ao mesmo tempo inacreditáveis.
Na despedida, senti o sabor do ultimo beijo antes da partida. Guardei para o resto do dia, aquele ultimo beijo onde lhe disse baixinho: "Gosto muito de ti". Nunca fez tanto sentido aquela palavra para mim como naquele momento.
Agora, no silêncio do meu quarto, sinto o seu cheiro na sua almofada, em que deitou a sua cabeça. Imagino agora o seu rosto a sorrir para mim enquanto me dava sua mão grossa e onde se aproximava para me beijar. Soltei uma lágrima, onde a saudade preenche este texto. Mas mais que a saudade, o carinho e a vontade de repetir aquele momento ficou dentro de mim.
Fica a incerteza de tudo, mas fica a bela memória de alguém tão perfeito mesmo nas imperfeições. Uma mentira...
Dedicado com amor, para Bourbon.
Porque já mais palavras mostram o amor, mas sim as acções.
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