terça-feira, 18 de junho de 2013

Um texto rendido






Sou um ser rendido ao vento, invisível mas ao mesmo tempo tão doce e suave, que dá vontade de agarrar e guardar, embrulhado naquele medicucre papel de embrulho, para oferecer a alguém naquele momento especial. 

Estupidamente, abraço-o com uma cara estupidamente alegre e sem grande alarido, sorrio como se fosse uma pequena criança quando descobre algo novo no mundo. Tal como o amor, o vento é aquele sentimento que mal se consegue explicar, mas que arranjamos mil e uma maneiras de explicar.
Há quem diga que amar é pintar um coração, com o teu e o meu nome, numa parede visível a todos, ficando cravada para sempre num tom à nossa escolha e escarrapachada para todos que assim a quiserem ver. Não! O amor não é isso, é bem mais do que o vento que não se sente, mais fundo do que um fosso que separa duas grandes ilhas, mais complicado que um novilho entrelaçado e cheio de nós.

Se calhar é complicado explicar o que é mesmo amor, mas pelo menos sei que um dia vais senti-lo a fervilhar num pequeno olhar. Mesmo aquele que não é correspondido, acaba sempre por ser intoxicado por este pequeno fulminante trocar de olhares. Se o amor fosse uma doença, todos nós andávamos doentes de amor, onde a transpiração provocava utópicas comichões na epiderme, onde nos faria sangrar de alívio e prazer mas sentir a dor de tanto escarafunchar no mesmo sitio.
O amor é incerteza, isso eu sei! É estar contigo e viver na incerteza de cada momento, mesmo sabendo que é certo que vais estar lá, saboreando mesmo aqueles momentos em que me empurras para os braços de alguém que eu próprio não quero saber, mas que tu fazes questão de frisar muitas vezes nas tuas belas brincadeiras, que me fazem alterar os meus nervos que disfarçados pelo sorriso forçado, acalmam por vezes a situação. As vezes, amar é mesmo sofrer, porque a luta assim o exige. É saber que mesmo estando tudo perdido, poder deslumbrar-te nos teus triunfos e sorrisos fazem valer apena cada instante em que no silêncio da noite chorei aos Deuses cada uma das tuas vitórias. Muitas vezes, amar é fazer aquelas juras parvas e engraças, onde debaixo da lua, olhando nos teus olhos redondos do cansaço, fazes-me prometer que a amizade é algo bem mais preciosa do que o sentimento que ali não existe. 

Ho lua estúpida, que me fazes render me no teu deslumbro, fazes me dizer que sim aos mais pequenos pedidos. Traiçoeiros os teus lábios, que mesmo sabendo que são intocáveis, fazem-me sonharem com cada possível beijo doce e apaixonado, sentindo o teu toque tão simples. Claro que amar é sonhar! Nem de outra forma poderia ser feliz contigo na minha vida, sem o sonho de um dia tudo mudar. 

Claro que já pensei em desistir, mas a saudade não deixou, mas mais do que a saudade o teu ser. Eu sei que amar é difícil, mas mais difícil seria não te ver novamente, mesmo que seja mais feliz e melhor.

Um dia perguntaram-me se me afastava de ti para sempre, eu disse: “Sim claro, um dia mais tarde vai acontecer, mas quando acontecer, sei que é para melhor e nada mais do que a sua felicidade conta na minha vida. Não sou egoísta, apenas ciumento. Mas eu com o ciúme sei conviver, agora com o egoísmo? Não, porque isso significa que aquele sentimento parvo que é o amor deixava de fazer qualquer sentido, porque não há espaço para isso nem para outro qualquer sentimento parecido a esse. Se é para melhor, eu próprio sairei da sua vida, dizendo docemente ADEUS, sabendo que a missão mais difícil já passou. Se há saudade é porque há falta, mas quando deixamos de fazer falta, não significa que não há saudade, apenas há necessidade desse amor se transformar em algo melhor”.

Tal como o vento, o amor passa por nós a correr, tocando uma vez na nossa face. Nós, podemos escolher: ou voamos com ele ou vemo-lo passar!

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