quinta-feira, 4 de abril de 2013

Uns momentos a dois : Parte2 - Big Brother

Foi engraçado como nos conhecemos. A volta de uma tenda estranha e complicada de se levantar, fez com que começasse-mos mão as obras e a trabalhar por montar aquele quebra-cabeças. Para começar, até foi giro, depois quando do céu caem as primeiras gotas quentes do verão, as coisas começaram a arrefecer e a serem feitas de forma apressada mas sempre risonha.

Para um Panda, até tinha grandes aptidões cómicas, que me fazia rir de forma tão simples e prática. Imaginar noites e noites de gargalhadas, deixando o sono sucumbir por vezes nos olhos, levando-nos para o mundo que construimos na nossa cabeça.

Ao principio, uma amizade pequena foi criada com pequenos passos leves e cuidadosos. Porquê? Bem, a dureza da sua pequena idade fazia me sentir e dever respeito perante as situações que ia vivendo aos poucos. Apesar disso, todas as barreiras foram sendo quebradas, mesmo aquelas mais íntimas e profundas.

Foi sempre a volta disto que a nossa amizade sobreviveu, onde passaram momentos que fomos vendo que nem a distância fazia destruir o que era construído no dia a dia. Na ausência, ambos sentimos a presença, mesmo não abrindo a boca nem expressando por belas e sentidas palavras. As vezes, a alma não deixa que as coisas sejam ditas de forma clara, mas ele também, nunca precisou disso. Os actos foram sempre assertivos e muito concretos.

Todos os momentos que me lembro dele, faz-me soltar sempre a lágrima saudosa e escondida dentro do peito. Sempre que me lembro de nós, trespasso o tempo e volto ao passando, onde O Pessegueiro nos fez adocicar as almas. Dizem que é cósmico, se calhar, mas foi mais do que estrelas, foram situações em que fomos como dois irmãos parvos e sem consciência das brincadeiras.

Nunca me vou esquecer, que sentado naquela praia fresca de Leiria, e com pequenas palavras sentidas mas verdadeiras, consegui soltar dos seus olhos lágrimas de alegrias e de saudação. Para mim, cada momento com ele, foi como ser outra vez pequeno, onde aprendia outra vez a crescer e a ser forte como ele sempre tentou ser.

Existem muitas pessoas que se cruzam na nossa vida, mas poucas são as que ficam. Muitas palavras e zangas já tivemos, todas elas cheias de desilusões e tristezas, onde eu próprio sentia que tinha que o quão desapontante tinha sido para ele.

Não sei o que é ter uma irmão que me ame de verdade, mas sei que ele para mim vai ser sempre mais do que um simples rapaz alfacinha que têm uma alegria de viver grande. Vai ser um irmão e um orgulho de vida.

Nem todos somos fortes, e todos temos as nossas fraquezas. Eu tenho muitas fraquezas e ele então, têm as suas fraquezas e problemas, que o consumem diariamente. Entristece-me muito saber das suas agonias e dos seus problemas, porque eu vivo-os com ele. Mesmo sendo um rapaz novo, sei sentir as coisas.

Mas no final, eu sei que ambos, mesmo longe um do outro, deixamos o amor falar mais alto. Quando nos voltamos a ver, há sempre a festa, o abraço e o sorriso desparatado que sempre me acolheu tanto nas chegadas como nas partidas.

Mais do que um amigo, está um verdadeiro homem, cheio de lindos conselhos e boas palavras, mesmo sabendo que por vezes podem não ser a que as queremos ouvir. A gentileza da escolha de cada letra faz diz um rapaz maduro e cheio de vida.

É por isso que sei, que mais sozinho que esteja, ele vai ser o primeiro a avisar-me mas também sei que vai ser o primeiro a dar-me aquele abraço que só ele sabe dar. E no final, quando acontece, ficamos sempre bem.

Para um irmão Alfacinha, com amor.

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