quarta-feira, 3 de abril de 2013

Uns momentos a dois : Parte1 - OpenHeart

Na timidez de uma dura conversa a 5, soaram sentimentos no meu coração, que me fizeram revirar-me o estômago, provocando uma tristeza e uma raiva de mim, que nem sentia bem o que comi antes. Lembrei-me do quão pequeno fui naquele momento, que nem pensei naqueles que estando longe podiam achar da atitude que tinha tomado.

Chegamos a casa, depois de uma noite psicologicamente quente e dura, sentamo-nos calmamente nos sofás onde se estabeleceu um momento sossegado de mais para a ocasião. Puxou-se uma música e umas palavras, dando início a uma noite larga de conversas e escutas mútuas, onde os sentimentos foram sempre escondidos aos poucos até aquele momento.

A vontade de fumar, foi mais forte e num jeito ansioso, tratamos de preparar a nossa companhia principal da noite. Esquentando o carvão, espalhando o cuidadosamente em cima de uma cama de alumínio  onde se sentia o cheiro a aroma que foi posta previamente.

Cuidadosamente levamos para o nosso cantinho, onde se foram puxando as primeiras fumaças adocicadas para a boca. Entre bafos e desabafos, fomos expelindo dos pulmões os restios de fumo, mas, os sentimentos foram-se reponde com calma e com a pré-escuta obrigatória. Afinal, ouvir alguém falar dos sentimentos é algo que deve ser ouvido com a paz aconselhada  para que assim possamos apreciar tanto os bons como os maus momentos.

Por momentos senti os seus sentimentos, como se ambas as almas tivessem conectadas. Apreciei todos os seus pensamentos, abalei me com cada sentimento mais frio e sombrio, ficando agoniado muitas vezes. Comovi-me com a sua confiança, estando a ler também cada linha dos seus pensamentos escritos com o sentimento de alguém que têm um brilho maior que os seus olhos.

Fiquei contente, não porque senti a sua confiança, mas porque vi nele a sinceridade e a beleza que nem todo o ser humano poderá alguém dia ver.

Passaram-se duas chichas e as coisas continuavam num ritmo tão lento e suave. As conversas divagaram entre desabafos e pensamentos futuristas que nos faziam pensar ainda mais o que faltava fazer.

E no meio do fumo do meu coração, restava uma certeza grande e brilhante: que é bom saber que alguém gosta de nós, mesmo falhando. Que acredita em nós. Senti que estava a olhar para um amigo, que me deu o conforto e a certeza que um dia iria-mo nos estar a rir perdidos por causa do que aconteceu no passado. Mas se não acontecer, fica a certeza e o orgulho de ter vivido aqueles momentos com ele.

São os bons momentos a dois, que debaixo de uma noite fria, nos fez aquecer os corações a volta de algo tão poluidor.

Obrigado por estes momentos.

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