quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Aprendendo a Perder
Numa curtas visitas matinais depara-mo-nos cada vez mais com triste notícias e com pequenos acontecimentos que nos passam tão ao lado como a sabedoria da existência do vento. Por vezes são tristes notícias, mas outras vezes são notícias que são boas e completas de amor.
Certamente não há pior noticia do que a tomada de consciência que perdemos um amigo e se há dor pior do que perder um amor é saber que perdemos com ele uma amizade. Sempre me referi a amizade como um amor sem a cor dos beijos ou do sexo, mas isso não o torna menos importante ou insignificante, só lhe dá valor e importância acrescida, consequentemente uma responsabilidade ainda maior.
Descrevendo a frase, "É triste quando uma pessoa que conheces, torna-se uma pessoa que já conheceste", é normal que o mote desta conversa não passe pela amizade, mas não é isso que me entristece. Tomar consciência que demos tudo por nada, torna este momento mais agoniante e frustrante, entrando assim num rodopio sem fim a vista. Realmente não há tristeza maior do que perder um amigo, olharmos na rua para a pessoa e recordar cada riso e momento em que lembra-mo-nos o quão divertido fora cada momento de palhaçada, cada jantar que se tornou uma paródia pegada, cada saída em que as risadas foram maiores do que o som musical que tocava harmonicamente em conjunto com o nosso belo entendimento. Claro que as zangas não foram esquecidas, onde as conversas mais fortes por vezes se tornaram batalhas onde a perca mutua fora sempre o resultado final, mas, por vezes, até na derrota se encontra ganhos tão grandes quanto as percas, porque muitas vezes é das cinzas que renascemos para tornar a viver, não significando que não voltemos a renascer de uma outra derrota, porque é so assim que crescemos e torna-mos as nossas resistências mais fortalecidas e podemos voltar a guerra com um ar mais enriquecido e poderoso.
Perder um amigo custa muito sim, ainda mais quando sabemos que nos escapou por entre os nossos dedos mas sempre temos o tempo em que fizemos tudo, em que mostramos que queremos lutar ainda mais do que fizemos, tudo por um passado feliz, para um futuro risonho. Mas não podemos viver sempre no passado e infelizmente acabamos por entrar na espiral temporal passada tentando sempre recriar todos os momentos que ficaram la traz e que queremos fortemente implementar em alguém. Sempre soubemos que o passado fica no passado, tal como o sol é para o dia e a Lua é para a noite.
Esta perda é só a confirmação de que esta estrela, não é nada mais do que uma estrela cadente e que não foi destinada a ficar para continuar a brilhar a nossa vida. Temos que aceitar que as pessoas vão e vêm e que só aquelas que merecem e querem ficam a brilhar sempre, nem que seja fraca mas sempre presente na nossa vida.
O que custa saber é que demos tudo, mas mais do que isso, é saber que para o outro não passamos apenas e não só de momentos que foram bons, grandes e criativos mas que hoje não passamos apenas disso: de um passado sem futuro, de um conhecimento desconhecido, de um amigo esquecido.
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