Olá Mundo,
Todos nos caminhamos para o mesmo caminho, sempre com o mesmo objectivo, que desde pequenos somos ensinados a seguir e onde aprendemos, aos poucos, com os erros que vamos cometendo e com elas, crescemos para o mundo que nos vai chegando à medida que vamos caminhando por esse trilhos escuros e complexos.
Nunca sabemos o que nos espera no amanhã e por isso, a vida se torna uma caminhada alucinante mas ao mesmo tempo, escura e cheia de dúvidas e pequenos percalços que nos fazem por vezes parar para tiramos o descanso e aquele suspiro fundo de cansaço. Nestes momentos, a lágrimas escorrida é sempre o sinal que revivemos todo o caminha percorrido com o acumular de sentimentos e escolhas que por acharmos que eram as certas, tornaram-se difíceis e complexas, com novos desafios e adversidades. Testámos diariamente a nossa força, com os pequenos problemas e atitudes. Todos nos aprendemos com os outros, interagindo, discutindo...
Quando nascemos, nunca sabemos o que iremos ser, ou escolher. Não sabemos os gostos que vamos ter, nem a música que vamos gostar de ouvir, a pessoa por quem nos vamos apaixonar, o fruto que vamos gostar... Nascemos para aprender isso mesmo, para sabermos que função temos.
Cresci num mundo em que aprendi a ser crescido, mesmo sendo criança. Lembro-me de brincar numa longa quinta, onde imaginava-me cultivador, espetando o meu pequeno pau de madeira, que tinha arrancado atrás, onde pensava vir daí nascer aquelas plantas mágicas. Viver numa aldeia, dá-nos estas vantagens de estarmos na natureza e de vermos os bichos e animais mais surpreendentes. Aqui amadureci a beira dos meus pequenos vales imaginários.
Por vezes jogava à bola, mesmo eu sabendo que não gostava, chutava uma e outra vez contra a parede chamuscada da minha casa. Ria-me sozinho com as pequenas falhas que cometia. Quando o sol raiava, brincava com a minha bicicleta. Subia e descia aquela estrada vez sem conta, onde aprendi que a estrada têm as suas normas e que deve ser usada com respeito. Lembro-me do primeiro palavrão que disse a minha mãe, que furiosa, deu me uma castigo severo e picante, colocando enervadamente picante na boca. Não senti raiva, mas sim desilusão de ter falhado.
Cultivei-me claro, estudando arduamente as coisas que aprendia. Na escola, cresci o verdadeiro valor da amizade que cada dia me divertia durante as horas mortas das aulas. Aprendi que adolescência é dura em que somos testados com frequência a cometer os maiores erros. Todos nos sofremos um bocado nessa fase. Sempre me senti diferente, talvez por ter crescido mais rápido. Apesar disso, sempre olhei para a vida com um sorriso, mesmo sabendo que a vida não era aquilo que mais desejava.
A dança foi uma parte importante, onde aprendi o valor da arte e da expressão. Quando vinha a música, entrava na minha mente um estado de calma e relaxamento, onde esquecia temporariamente todos os problemas que apreciam. Era feliz enquanto dançava, sentia-me livre mesmo sabendo que estava aprisionado. O facto de ser uma arte pouco apreciada pelas pessoas do sexo masculino, começavam rumores, começavam desconfianças em relaxam as minhas atitudes, a minha sexualidade. Começaram os ataques, as ofensas mas sempre de forma subtil e sem expressão física.
Comecei o meu sofrimento em silêncio, vivendo calado e sozinho todos os maus sentimentos. Chorava. Por vezes, berrava enquanto chorava e sempre fui esta a minha maneira de libertar os maus pensamentos, de dias em que pensei por um fim. Talvez , por estar perdido, voltava me tímidamente para Deus, mesmo sabendo que as minhas preces não eram ouvidas.
Decidi eu mesmo mudar. Tecnologia sempre fui o meu forte, até porque desde que me lembre, mexer em computadores sempre foi algo fascinante para mim. Mesmo sabendo da insegurança da minha mãe, segui um curso profissional.
Esta mudança, mexeu comigo, comecei do novo, foi como renascer para um novo mundo, novas oportunidades e novos amigos. Esta parte da minha vida foi a mais bonita e a mais importante para mim. VI as coisas de maneira diferente, porque via pessoas tão diferentes.
Vi droga em bruto nos meus olhos incrédulos. Vi o amor puro do meu amigo do lado, que tudo faria pela namorada estar feliz. Vi o amor de Deus, que onde tive oportunidade de crescer com Ele mais do que antes. Vi as minhas duvidas testadas. Vi agressões e discussões onde acabavam sempre num abraço sincero.
Conheci pessoas maravilhosas, pessoas que com quem cresci aos poucos e poucos, que me fizeram rir mas também emocionar com os seus pequenos gestos simples e sinceros. Claro que conheci pessoas horriveis, que me fizeram chorar e ter medo da vida. Mas com essas, eu agradeci cada momento, porque com eles tornei-me forte.
Hoje, e sabendo que, mesmo sendo diferente continuo igual à pessoa daqueles tempos, parei para escrever isto, não porque alguém se vá interessar, mas porque não me podia ir embora, sem agradecer cada momento que vivi, mesmo aqueles que queria desistir, onde via uma estrada sem fim.
Vivemos hoje num mundo cruel. Se calhar eu é que vivi sempre num mundo imaginário e feliz onde pensei que o amor vencia todo o mal. Aos poucos vi, que o amor é o sentimento mais doce mas com travo amargo. Sempre nos apaixonamos, sempre nos desiludimos e voltamos a apaixonar.
Por vezes não interessa o quão bom se é, as vezes basta ser convincente.
Por vezes não interessa ter o melhor coração, porque se o amor é cego vai amar qualquer um.
Por vezes não interessa ser o mais doce, porque no amor isso já está incluído.
Por vezes não importa ser o melhor, porque afinal, sempre se vai escolher quem nos faz mal.
Com isto concluo, que o amor é cego e por ser cego, não interessa ser a melhor pessoa do mundo. Não interessa ser rico ou pobre, bonito ou feio. Porque ser o amor, for cego não vai fazer diferença.
Se o amor não for cego é porque não é verdadeiro, é porque não existe.
Apesar de não ser o rapaz mais bonito muito menos o melhor do mundo, sempre me valorizei como ser humano. Tentei ser o melhor para mim, para os outros e para a vida. Por vezes não chegou.
A todos aqueles que amaram, mas que se viram magoadas, não desistam, porque amar é um sentimento tão construtivo mas ao mesmo tempo tão abrasivo. Amem, não interessa o sexo, a cor ou o sentido, se for amor, amem.
Adeus mundo! :)
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