De passo em passo, continuei navegando por essa praia deserta, cheia de umas memórias difíceis da maré levar, onde as pegadas deixavam o rasto de uma vida que pesava dentro de uma espécie de saco cheio de coisas que foram arrumadas aos poucos, onde se tentou forçar o mais que se podia.
Sentei a ouvir-me, por dentro das pequenas ondas que me beijavam nos pés muito subtilmente, lembrando-me que tudo o que a vida leva, traz mas com uma ternura e com uma aprendizagem diferente. Ceguei-me com o por de sol que beijava a praia de um tom de amarelo torrado. Aí, deixei que apenas a minha face senti-se aquele vento gelado a bater-me nas orelhas, e no meio dessa turbulência, várias memórias apareceram-me timidamente em pequenas fracções e imagens.
Chorei lágrimas de sal, que me pesavam as pestanas e que me faziam arrastar por toda a praia, mas aquele pequeno maroto raio de Sol, fez me levantar os olhos além, e vir ao longe o que estava para vir. Alguém caminhava, com calções verdes, t-shirt com um pequeno toque verde, onde a toalha pendia ao pescoço. O seu sorriso fez-me estremecer o meu coração salgado, tornando-o completamente adocicado e transpôs-se ao Sol laranja que brilhava escondido por entre o mar.
Caminhava por entre pedrinhas, que faziam da praia uma pequena brincadeira para crianças pequenas. Sorrindo, caminhava na minha direcção onde aqueles olhos verdes reluziam uma luz tão intensa quanto a de uma lâmpada. Tudo parou naquela praia para o ver chegar, mesmo que cansado e atrelado por uma mochila que pesava as costas.
Parvamente, deixei a lágrima escorrer-me pelo rosto, contagiei-me pelo sorriso que ele fazia questão de usar e abusar vezes sem conta. Deixei que esse sentimento passa-se para dentro de mim e aos poucos toda aquelas tristeza foi-se tão depressa como as pegadas que estavam a traz de mim. O mar tocava uma música calma, enrolado as minha memórias para bem longe de mim, deixando-me leve e feliz.
Quando olhou-me nos olhos, deu-me um abraço tão forte e mas tão doce, em que as lágrimas não se contiveram. Aí chorei, não porque estava triste, mas porque esperei tanto por vê.-lo de novo e por ter aguentado toda aquele sofrimento. Toda a espera e lágrimas, fizeram romper a tristeza onde o seu abraço fez o meu coração ser inundado por um amor tão grande quanta a sua beleza.
Suavemente, os seus lábios macios tocaram nos meus, fazendo uma sintonia amorosa com a sua mão, que me tocava carinhosamente no rosto. Congelei tudo o meu corpo deixando-me envolver por um beijo que fora tão especial quanto a pessoa que estava comigo. Nem o Sol conseguiu pintar uma imagem tão bonita como aquele momento. Olhou-me nos olhos novamente, fixando-se e sorrindo parvamente para mim.
Perguntou-me porque chorava, mas timidamente respondi: "porque te amo tanto quanto o sol ama o mar, porque foste um rasgo de vida na minha vida, tal como o Sol rasga as manhãs. Porque me fazes sentir mais, mais homem, mais ser humano mais vivo. Porque simplesmente, contigo sinto-me protegido, sinto que o mundo se torna tão pequeno, invencível sem maldades. "
Ele soltou uma lágrima, tornando os olhos em verde mar. Limpei-lhe com o indicador aquele marota lágrima e ao ouvido responde-me: "Tu és mais que um Rasgo de Sol, porque tu és mais que uma estrela para mim, és mais que o o mar que atravessa a areia, que o vento que me passa pelos dedos. Tu és algo que me faz brilhar os olhos, que me faz acordar com este sorriso e que faz todos os dias mexer este coração. "
Abracei-o com força novamente, e ai o sol riu-se de nós ...
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