quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Mais de que um rasgo de sol

De passo em passo, continuei navegando por essa praia deserta, cheia de umas memórias difíceis da maré levar, onde as pegadas deixavam o rasto de uma vida que pesava dentro de uma espécie de saco cheio de coisas que foram arrumadas aos poucos, onde se tentou forçar o mais que se podia.

Sentei a ouvir-me, por dentro das pequenas ondas que me beijavam nos pés muito subtilmente, lembrando-me que tudo o que a vida leva, traz mas com uma ternura e com uma aprendizagem diferente. Ceguei-me com o por de sol que beijava a praia de um tom de amarelo torrado. Aí, deixei que apenas a minha face senti-se aquele vento gelado a bater-me nas orelhas, e no meio dessa turbulência, várias memórias apareceram-me timidamente em pequenas fracções e imagens.

Chorei lágrimas de sal, que me pesavam as pestanas e que me faziam arrastar por toda a praia, mas aquele pequeno maroto raio de Sol, fez me levantar os olhos além, e vir ao longe o que estava para vir. Alguém caminhava, com calções verdes, t-shirt com um pequeno toque verde, onde a toalha pendia ao pescoço. O seu sorriso fez-me estremecer o meu coração salgado, tornando-o completamente adocicado e transpôs-se ao Sol laranja que brilhava escondido por entre o mar.

Caminhava por entre pedrinhas, que faziam da praia uma pequena brincadeira para crianças pequenas. Sorrindo, caminhava na minha direcção onde aqueles olhos verdes reluziam uma luz tão intensa quanto a de uma lâmpada. Tudo parou naquela praia para o ver chegar, mesmo que cansado e atrelado por uma mochila que pesava as costas.

Parvamente, deixei a lágrima escorrer-me pelo rosto, contagiei-me pelo sorriso que ele fazia questão de usar e abusar vezes sem conta. Deixei que esse sentimento passa-se para dentro de mim e aos poucos toda aquelas tristeza foi-se tão depressa como as pegadas que estavam a traz de mim. O mar tocava uma música calma, enrolado as minha memórias para bem longe de mim, deixando-me leve e feliz.

Quando olhou-me nos olhos, deu-me um abraço tão forte e mas tão doce, em que as lágrimas não se contiveram. Aí chorei, não porque estava triste, mas porque esperei tanto por vê.-lo de novo e por ter aguentado toda aquele sofrimento. Toda a espera e lágrimas, fizeram romper a tristeza onde o seu abraço fez o meu coração ser inundado por um amor tão grande quanta a sua beleza.

Suavemente, os seus lábios macios tocaram nos meus, fazendo uma sintonia amorosa com a sua mão, que me tocava carinhosamente no rosto. Congelei tudo o meu corpo deixando-me envolver por um beijo que fora tão especial quanto a pessoa que estava comigo. Nem o Sol conseguiu pintar uma imagem tão bonita como aquele momento. Olhou-me nos olhos novamente, fixando-se e sorrindo parvamente para mim.

Perguntou-me porque chorava, mas timidamente respondi: "porque te amo tanto quanto o sol ama o mar, porque foste um rasgo de vida na minha vida, tal como o Sol rasga as manhãs. Porque me fazes sentir mais, mais homem, mais ser humano mais vivo. Porque simplesmente, contigo sinto-me protegido, sinto que o mundo se torna tão pequeno, invencível sem maldades. "

Ele soltou uma lágrima, tornando os olhos em verde mar. Limpei-lhe com o indicador aquele marota lágrima e ao ouvido responde-me: "Tu és mais que um Rasgo de Sol, porque tu és mais que uma estrela para mim, és mais que o o mar que atravessa a areia, que o vento que me passa pelos dedos. Tu és algo que me faz brilhar os olhos, que me faz acordar com este sorriso e que faz todos os dias mexer este coração. "

Abracei-o com força novamente, e ai o sol riu-se de nós ...


Sem comentários:

Enviar um comentário