sábado, 19 de janeiro de 2013

Um passo atrás no futuro

A passos largos aproximou-se um Ano Novo cheio de novas esperanças e novas reconquistas na minha vida, deixando para trás o que mais me doeu, enterrado nas entrelinhas cheias de lágrimas e promessas falsas que vida me foi dando como pequenas gotas que iam caindo no meu caminho, tornando-se em poças de água grandes e fundas que me faziam desviar por caminhamos mais sombrios e mais repletos de uma incerteza que me amedrontava a alma a cada passado dado em direcção a um destino tão oculto e obscuro. 

Em 2012 ficaram imensas memórias, algumas perdas, algumas saudades que me deixam o coração com pequenos buracos, algumas tristezas que me deixam em cacos os meus sentimentos mas vivi algumas alegrias, que ficaram cravadas no meu pequeno baú feito de areia, tão frágil e medonho que ao mínimo supro se desaparece e deixa algumas memórias ao relento e cheias de um medo que nem o meu ser sabe bem explicar.

Mais do que perder muitas coisas, sinto que perdi mais este ano do que qualquer outro. Percebi que por entrelinhas e coisas mal medidas acabei pessoas no meio do alvoroço que se tornou o meu coração no meio desta caminhado que entre arranhões e escoriações  foi feita com lágrimas e suor mas mais do que isso, cheias de uma dor que prendia-se no meu peito por muito tempo.

Todas as perdas são de lamentar, umas mais do que outras. Mas se calhar houve uma que ainda hoje me custou mais do que tudo.

Lembro-me que aqueles 5 anos da nossa amizade sempre foram difíceis e complicados. Rio-me sempre que penso que o ofendi continuamente por saber que era um ser diferente, mas sabem? Foi isso que me cativou. A diferença acabou por nos unir aos poucos, porque foi na timidez das conversas que surgiu naturalmente uma amizade cheia de uma sabor a doce e terno. Esperamos muito tempo para nos vermos, e quando aconteceu lembro-em que foi uma sensação estranha, algo que nunca imaginaria.

Ver alguém que só recriamos a sua imagem durante anos, tornou-se simpático e simplesmente medonho, mas foi tão reconfortante que esse sentimento passou num ápice  De fininho algo cresceu ali porque foi entre cafés e pequenas saídas que fomos vendo que afinal, tínhamos mais em comum do que pensávamos.

Mas nem sempre as coisas foram perfeitas, pois houve as nossas zangas e desavenças mas sempre soubemos dar a volta por cima com humildade e vontade. As coisas resolviam-se, apesar da teimosia e do nosso orgulho.

Hoje as coisas mudaram, a vida tornou-se diferente.

Olho para o futuro com tristeza de perceber que esta amizade se vem perdido nestes tornados contínuos e sem fim. Mas no meio destas tempestadas há aquela esperança de que um dia o passado volte a trazer-me para o futuro o que este de mais valioso tirou.

Mesmo isto tudo, e de todas as coisas que me foram roubadas do meu coração, há uma coisa que não conseguiram roubar dentro de mim. O amor é a fortaleza que enfraquece o meu coração, mas é aquilo que hoje me mantém vivo continuamente. O que eu sinto, ficou imortalizado e por isso entro em 2013 com o coração com esperança de um dia sentir o seu abraço e de passar aqueles milinhentas horas telefónicas parvas que mantínhamos continuamente sem perceber o seu fim.

Que 2013 seja um ano de esperança e que me deixe avançar.

Dedicado a V.T

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