sábado, 5 de janeiro de 2013

O verão num inverno

Acordei num dia tão belo como a noite que tinha passado entre os meus pequenos doces sonhos que eram contados de forma rápida e tão espontânea que nem dava pelo tempo passar. Levei com os primeiros raiares de sol de uma manha de inverno soldada de um orvalho cristalino, que embaciou o vidro do meu quarto que estava literalmente virado para o sol.

Esfreguei os olhos, ainda meios enublados da turbulência matinal e num ápice olhei para o meu lado esquerdo, onde estava o meu telemóvel em literal repouso nocturno  Ansiava por mais uma doce mensagem, mas não tinha mais que um painel que me fazia sobrevoar o meu passado de fininho.

A saudade invadiu-e o meu espírito e as lágrimas invadiram o meu coração de uma alegria triste que esboçou os meus pensamentos natalícios. Recordei aqueles momentos em que via os meus dois irmãos Mário e Carlos abraçando-me naquela noite de verão, em que deixamos a bebedeira invadir aqueles sentimentos mais profundos e tímidos.

Lembro daquele verão de 2012 como se fosse o meu presente e como se quisesse viver aquilo 100 vezes sem parar e voltar aquele conforto e aquele ambiente que nos envolvia e que me fez crescer novamente. Aquela alegria saudosa, fez me sentir o ser humano mais feliz que havia naquele momento em que o abraço de olá foi o mais quente que tive na minha vida. Entre as conversas noturnas que passaram, surgiram as discussões que haviam sido guardadas para aquele dia. Mas não só de discussões se fez aquela semana. Foi de descobertas e promessas de um dia melhor, de um dia estarmos juntos novamente à volta daquela "mesa".

Aí surgiu o abraço que nos uniu, onde as lágrimas soltaram as melhores pinturas e sentimentos. Nunca mais vou me esquecer aquela noite de verão, onde aquele abraço fez-me sentir ainda mais Homem, que me fez sentir que estou vivo por dentro e que tenho irmãos tão longe que ainda esperam por mim como se família se tratasse.

Choramos as mais amarguras e erros cometidos, onde as palavras "Desculpa" e "Arrependimento" desprenderam a melodia mais bonita sobre a amizade. Reafirmamos mais do que um simples "Estás desculpo", mas também dissemos com grande amor "Eu te Amo meu irmão".

Aquela foto, que ainda hoje está no meu telemóvel, têm uma história cravada bem no seu centro, onde parece que sou eu que os abraço. Mas não, eles os dois, é que me seguram para uma vida complicada, cheia de picos e sombras escuras, onde o seu suporte ainda hoje fica presente.

Dia de Natal é dia de Amor, é dia destes pequenos sentimentos que nos deixam sossegar a alma e por vezes esquecer que somos menos miseráveis do que pensamos. A vontade de ter aquela mensagem passou tão rápido como surgiu mas encontrei outra mais funda ainda...

Dedicado a Mário e a Carlos com Amor

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