Vi-te chegar, com o teu olhar recioso e completamente perdido, sem saber o que fazer ou dizer. Tal como tu, eu aventurei-me a navegar por rios desconhecidos e completamente feitos ao puro acaso da vida. Olhava para ti tímido, com medo que me visses corar com a tua beleza escolpilda pelos Deuses. Quando sorriste tudo se tornou mais simples para mim, porque aí conquistei a tua pequena bolha, que só poucos têm a sorte de poder deslumbrar.
Lembro-me de cada cor que esbotava os teus cabelos, que apesar de claros, era confusamente bonitos mas ao mesmo tempo tão ordinários. Ouço por vezes o teu sorriso pelos cantos, onde olho repentinamente para ver se és tu, com aquele ar sério que só tu sabes fazer, congelando a atenção mesmo dos mais distraídos seres.
Entre umas copadas de vinho, a noite caiu tão subtilmente quanto o beijo que me tocava alegremente na minha boca, sentido os teus pequenos lábios carnudos deslizarem-se nos meus como se fossem feitos para mim. Saboriei-o por vezes o calor da tua saliva, que aparentemente nojenta a uns, faz-me lembrar a tua pequena língua tão calma mas sabedora do que fazia.
A minha alma dançou durante horas sabendo que o teu calor invadia-a me o meu pequeno espaço, onde a beleza chegou ao meu coração a conta gotas deixando me encantar aos poucos por cada traço de ti.
Chegou o momento!
Tudo passou num pequeno ápice, mesmo na hora em que vi partir, tudo naquele momento se desfez à minha volta como se tudo não passa-se de um sonho em que vivi. Quando me fecho os olhos, vejo-te sorrir muito inocente.
Desfeito, andei sozinho por esses cantos, passando por onde passamos, recordando o que vivemos. Ainda sinto o cheiro do teu perfume instalado no meu pescoço, mas tudo se foi!
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