Entristecido, embalei com o contar dos cordeiros e ao longe o rosto de uma beleza tal não me deixava os meus pensamentos indiferentes e especialmente descansado aquela preciosidade de natal. Parecia alguém que tomava daquelas irrequietas ovelhas cor neve, alguém doce e perfeito como aquele belo pelo cuidado. Faziam-me lembrar flocos fofos e frágeis de neve que ao toque se desfaziam em pequenas gotas de água gélida.
Assim voei por esse sonhos e pensamentos leves, deixando levar a tristeza da saudade retida nesse dia cansativo mas tão cheio de doces e prendes.
Acordei sobressaltado com o tlintlim dos testos a bater nas panelas pretas que já era tradição serem usadas para o petisco do meio dia de dia 24. Como sempre o nosso famoso polvo deixava-me aguado conjugado com aquele leite de creme alimonado que só a minha mãe saberia fazer na perfeição.
Larguei o sono por entre os lençóis e, faminto, comi aquele manjar dos Deus que me fizeram lembrar os meus tempos de adolescente parvo e sem medos. O cheiro a sonhos de cenoura ficou cravada naquela cozinha junto com o azevinho bem arranjado e cortada, posto naquela jarra enfeitada de neve artificil que demandava cheiro tão medonho.
Desfiando um bolo rei, entre uma dentada e outra, ouço um bip que já me era familiar e usual. Devagar subi aquele escadaria, passando pela magistral Árvore de Natal colocada estrategicamente no centro para que fosse visível a todos os visitantes mas também nós que morávamos lá na casa. A estrela oiro brilhante fazia colar os olhares mais insensíveis e por momentos, deixava maravilhar os mais resistentes aquele brilhante estrelado.
Cruzando entre portas e tijolo atiro-me para a cama, rebolando para o lado da janela onde estava imperialmente colocado o meu pequeno mensageiro. Brilhava aquele verde irritante e cintilante e deslizando com o dedo aquela manhosa máquina vejo que a mais das ansiosas mensagens é recebida com um grande esplendor de amor e doçura. Recaído em pensamentos bondosos e apaixonados, deixei-me maravilhar por cada letra daquela simples frase tardia. Decorei cada palavra, cada vírgula.
A felicidade recaiu-me no meu coração como uma bomba atómica, devastadora mas simplesmente maravilhosa e alastrou-se aos meus olhos verde azulados tornando-os mais cintilantes e doces.
Aí tive o meu mistério de Natal e a partir dali, surgiram as mais belas conversas natalícias. A simplicidade tornou-se algo tão invulgar que aproveitei mesmo, cada bip irritante que ecoava daquela coisa preta e chata.
Não há melhor e feliz dia de Natal como este... e ainda mal começou....
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